Acompanhar a reforma tributária é, para mim, algo quase cotidiano nos últimos meses. No universo contábil, principalmente atendendo profissionais da saúde e prestadores de serviço pelo Queiroz Contabilidade, as mudanças sobre o Simples Nacional de 2026 a 2033 têm sido motivo de muita dúvida. Afinal, o Simples acaba? Ele muda? E, caso mude, o que acontece com as vantagens e desafios do regime?
O Simples Nacional permanece, mas com mudanças claras
Em muitas conversas profissionais, percebo medo e insegurança sobre o futuro da tributação. Então, preciso ressaltar logo de início: o Simples Nacional NÃO será extinto com a reforma tributária. Ele continua existindo. Porém, a partir de 2026, começam mudanças que, pouco a pouco, alteram regras e impactam o cotidiano das empresas.
As principais novidades já em 2026
O ano de 2026 marca o pontapé inicial de todo esse processo. Diferente das empresas do Lucro Real e Lucro Presumido, quem está no Simples Nacional não precisa, neste ano, adaptar sistemas nem participar da fase de testes da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Ou seja, nessa etapa, a rotina de micro e pequenas empresas permanece igual no recolhimento dos tributos. Entretanto, quem está de olho nas tendências administrativas e fiscais já deve começar o planejamento.
2027: início dos impactos práticos e o destaque tributário
No ano seguinte, a principal novidade: a partir de 2027, empresas do Simples precisarão destacar, nas notas fiscais, os valores correspondentes à CBS (federal) e IBS (estadual e municipal). Esses tributos vão substituir progressivamente PIS/Cofins, ICMS e ISS até 2033.
Apesar disso, o pagamento continua sendo feito, no início, em guia única pelo DAS, só que agora, a composição interna muda e esses dois novos tributos farão parte do bolo.

O surgimento do Simples Híbrido: uma opção estratégica
Em minhas análises, fui percebendo que uma das principais novidades é a criação do Simples Híbrido. Essa modalidade permite que a empresa recolha apenas a CBS e IBS fora do DAS, passando a gerar crédito fiscal integral para quem compra. A escolha é semestral e não pode ser desfeita nesse período. Nesse modelo, a empresa do Simples ganha competitividade ao vender para outras pessoas jurídicas, já que o cliente aproveita todo o crédito dos impostos pagos.
Mas nem tudo são vantagens: para migrar ou não, indico sempre fazer simulações detalhadas, considerando perfil dos clientes e cadeia de fornecimento. Fornecedores que não oferecem crédito integral podem perder contratos para concorrentes de outros regimes. Esse cenário é especialmente sensível para quem vende para empresas (B2B).
Também é importante destacar: as regras do Simples Híbrido exigem maturidade gerencial, consulta contábil frequente e capacidade de planejamento tributário. Por experiência própria, sei que alterações apressadas, sem estudo prévio, levam a armadilhas e até perda de faturamento.
Impactos diretos em serviços, clínicas, laboratórios e profissionais da saúde
No setor de serviços, o reflexo será grande. Profissionais da saúde, laboratórios e clínicas, por exemplo, que hoje pagam ISS entre 2% e 5%, passarão a ter a alíquota do novo IVA (CBS + IBS) próxima de 26,5% a 28%. Para profissões intelectuais e científicas regulamentadas, como medicina e advocacia, haverá redução de 30% nessa alíquota. Ainda assim, o valor continuará maior que o ISS atual. Isso exige atenção redobrada na precificação dos serviços e, muitas vezes, reavaliação do regime tributário, especialmente para quem atende outros CNPJs.
Nesse sentido, se você trabalha com saúde e quer saber mais sobre regras específicas e o que muda na distribuição de lucros a partir de 2026, vale a leitura sobre cuidados na distribuição de lucros no Simples em 2026.
Chronograma da transição: como a mudança será distribuída?
- 2026: fase de testes da CBS e IBS (Simples dispensado).
- 2027: início da obrigatoriedade de destacar os tributos CBS e IBS nas notas fiscais; início das opções do Simples Híbrido.
- 2028: ajustes nas alíquotas do novo sistema.
- 2029 a 2032: transição progressiva do ICMS/ISS para IBS, com fim gradual dos antigos tributos nos estados e municípios.
- 2033: regime do IVA Dual implantado plenamente, com CBS e IBS consolidados e fim dos “impostos antigos”.
Um ponto que achei muito relevante ao conversar com colegas é a mudança no prazo de adesão ao Simples: a escolha pelo regime deverá ser feita até setembro do ano anterior ao de vigência, e não mais em janeiro. Essa antecipação obriga quem deseja permanecer ou migrar a se planejar com novos prazos.
Simples Híbrido, split payment e a rotina financeira
Outra alteração significativa é o chamado split payment: nessa modalidade, o pagamento dos tributos passa a ser feito de forma “retida” automaticamente no momento da venda (e não depois, em lote, no mês seguinte), reduzindo o fluxo de caixa para capital de giro e tornando vendas parceladas mais complexas na prática.
Um exemplo prático: os supermercados, açougues e similares que trabalham com cesta básica só terão alíquota zero de IBS e CBS sobre esses produtos se estiverem no Simples Híbrido. No modelo tradicional, a isenção não se aplica. A decisão sobre qual regime seguir é sensível e demanda análise detalhada.
Ao longo dos anos, presenciei a importância de sempre consultar um contador especializado antes de tomar qualquer decisão radical. No Queiroz Contabilidade, esse diálogo é parte da rotina para evitar dores de cabeça e ficar atento a detalhes escondidos.

Impactos na precificação, margens e competitividade
Falar em reforma tributária é, quase sempre, falar em mudança de margens. No Simples “tradicional”, o impacto é pequeno inicialmente, mas não pode ser ignorado, porque o cenário pode mudar a partir de 2027. A partir do Simples Híbrido, o cenário muda bastante: a formação do preço começa a exigir um olhar mais atento para tributação, cadeia de fornecedores, perfil dos clientes e possibilidade/necessidade de repassar impostos.
Para muitos profissionais liberais, clínicas e laboratórios que atendem tanto pessoas físicas quanto jurídicas, a análise do regime mais vantajoso será anual e, às vezes, até semestral. O mesmo vale para representantes comerciais e pequenas indústrias próximas do limite de faturamento.
Ações práticas para 2026 e recomendações
Com base em minha experiência, recomendo seguir esses passos já no próximo ano:
- Conheça o perfil dos seus clientes: consumidor final ou empresas?
- Solicite simulações tributárias para o Simples Tradicional e Híbrido.
- Mapeie seus fornecedores e entenda em qual regime cada um deles está.
- Adeque sistemas de emissão de nota fiscal e controles gerenciais.
- Prepare-se para o novo prazo limite de adesão ao Simples (setembro).
- Mantenha contato frequente com o contador para discussões estratégicas.
Agir sem ansiedade é fundamental. A reforma abre novas oportunidades e desafios, mas um passo mal planejado pode comprometer a saúde financeira do negócio.
Se você atua na área da saúde e tem dúvidas sobre segregação entre pessoa física e jurídica, saiba mais em como separar as finanças de PF e PJ.
Outra dúvida recorrente é sobre a escolha entre MEI e Sociedade Limitada em 2026. Tem um conteúdo especial sobre isso, principalmente para médicos, em MEI ou Sociedade Limitada para médicos.
Exportação, Imposto Seletivo e cenários especiais
Sobre exportações: empresas do Simples continuam podendo realizá-las com alíquota zero de IBS e CBS. Isso significa que não há perda de competitividade internacional, inclusive com possibilidade de aproveitamento adicional de créditos de insumos caso opte pelo regime híbrido.
Já o Imposto Seletivo atinge apenas setores como bebidas, cigarros e combustíveis, incidindo fora do DAS e sem gerar crédito. Para a maioria das empresas clientes do Queiroz Contabilidade, essa regra não compromete resultados.
Devo mudar de regime? O que observar para não errar
Mesmo com mudanças robustas, o Simples Nacional segue sendo, para muitos, o melhor caminho, especialmente para quem vende ao consumidor final, tem pouco ISS ou faturamento mais baixo. Para empresas B2B ou perto de R$ 4,8 milhões de faturamento anual, recomendo analisar simulações alternativas. O risco de perder competitividade ou clientes é real nesse novo cenário.
A escolha do melhor regime, mais do que nunca, não pode ser feita no susto.
Se a sua empresa atua na área da saúde e quer se aprofundar nas mudanças, sugiro o artigo Vale a pena ser médico PJ em 2026?, que aprofunda o tema.
Conclusão: calma, planejamento e consulta ao contador
Em resumo, a reforma tributária não acaba, mas transforma o Simples Nacional. Novos tributos, prazos, composição do DAS e opções de destaque impactam rotinas. Para quem é do setor de serviços, saúde ou representa empresas com clientes PJ, simular cenários e fazer escolhas conscientes é indispensável a partir de 2026. Conte sempre com acompanhamento personalizado do Queiroz Contabilidade para tomar decisões informadas, reduzir riscos e garantir tranquilidade nos próximos capítulos da tributação brasileira. Agende seu atendimento e saiba como podemos ajudar a construir o futuro do seu negócio.
Perguntas frequentes sobre a reforma tributária no Simples Nacional
O que muda no Simples Nacional em 2026?
Em 2026, empresas do Simples Nacional não participam dos testes da CBS e IBS. O recolhimento via DAS segue igual e não há obrigatoriedade de novas adaptações tecnológicas nesta fase. O planejamento, contudo, já começa a ser recomendado, especialmente nas áreas de emissão de notas fiscais e gestão de contratos.
Como será a transição até 2033?
O cronograma prevê: 2026 apenas com testes (Simples dispensado), 2027 início da CBS/IBS no Simples, 2028 ajustes nas alíquotas, 2029–2032 transição do ICMS/ISS para IBS e 2033 consolidação do IVA Dual, com os novos tributos totalmente operacionais e os antigos extintos.
Vale a pena permanecer no Simples Nacional?
Depende do perfil do negócio. Para quem vende ao consumidor final e possui baixa complexidade tributária, muitos casos seguirão vantajosos no Simples comum. Já empresas que atendem B2B, possuem baixo ISS ou faturamento elevado devem simular cenários, sempre com apoio de contadores especializados.
Quais tributos serão unificados no Simples?
PIS/COFINS, ICMS e ISS serão substituídos, de forma progressiva, pela CBS (federal) e IBS (estadual e municipal). Os dois novos tributos passam a compor o DAS e, a partir do Simples Híbrido, podem ser recolhidos fora do documento de arrecadação.
Como calcular o novo imposto do Simples?
A partir de 2027, o DAS passará a ser ajustado com novos percentuais internos, representando CBS e IBS. No Simples Híbrido, os valores são destacados individualmente e recolhidos de forma separada, exigindo simulação detalhada para cada cenário. O cálculo envolverá não só o faturamento, mas também o perfil do cliente e as segmentações previstas nas regras do regime.