Desde que comecei a acompanhar as mudanças na legislação trabalhista, vi poucas alterações tão impactantes quanto a atualização da NR-1, feita pela Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024. Com essa atualização, os riscos psicossociais passaram a ocupar o centro das atenções na gestão de saúde e segurança ocupacional.
Hoje, quero falar sobre o que muda a partir da nova regra, como você pode se preparar e, principalmente, quais 7 ações práticas recomendo para gerenciar riscos psicossociais na sua empresa entre agora e o prazo final de adequação: 26 de maio de 2026.
NR-1 atualizada: o que mudou e por que a empresa deve agir
Desde 2008, atuando com contabilidade e consultoria para profissionais da saúde e prestadores de serviço através da Queiroz Contabilidade, já acompanhei muitos processos de adaptação normativa. A nova NR-1 estabelece que toda empresa deve conduzir ações para prevenir, mapear e tratar riscos psicossociais. Isso significa dar atenção, de verdade, às causas do estresse, adoecimento mental ou baixa satisfação no trabalho.
As principais mudanças incluem:
- Inclusão obrigatória de riscos psicossociais nos Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o que faz com que relatos de assédio, sobrecarga, pressão por desempenho e conflitos sejam tratados com o mesmo peso dos riscos físicos ou químicos.
- Nova definição de perigo ocupacional passa a incluir fatores psicossociais, não apenas acidentes ou danos físicos.
- Exigência de plano estratégico para promoção de saúde mental, com foco ampliado para prevenção de agravamento de quadros já existentes.
- Ampliação da responsabilidade da empresa em relação à saúde dos trabalhadores, inclusive em casos em que o ambiente de trabalho contribua para piorar condições já diagnosticadas.
Em minha experiência, vejo que essas mudanças obrigam as empresas a assumirem um papel ativo na promoção do bem-estar. Tem a ver com responsabilidade, mas também com resultado financeiro e reputação. Não se trata apenas de cumprir uma obrigação legal.
O que são riscos psicossociais? Exemplos comuns no trabalho
Apesar de o termo parecer distante, está mais próximo do que imaginamos. Na prática, riscos psicossociais dizem respeito a fatores que podem comprometer a saúde mental dos trabalhadores.
- Sobrecarga e ritmo intenso de trabalho
- Assédio moral, discriminação, humilhações
- Falta de reconhecimento ou sensação de inutilidade
- Ambiente conflituoso entre pares ou chefias
- Impossibilidade de conciliar trabalho e vida pessoal
- Demandas ambíguas, sem clareza de atribuição
- Exposição a situações de sofrimento ético
Esses fatores podem levar à exaustão, adoecimento mental e físico, desmotivação e rotatividade elevada.
Como identificar e avaliar riscos psicossociais?
Uma dúvida comum que escuto em reuniões e consultorias é: “Como, de fato, detectar os riscos psicossociais?” Nesse ponto, a NR-1 facilita ao determinar etapas e ferramentas recomendadas.
- Mapeamento preliminar dos perigos, usando as orientações do Anexo I da NR-1 e ouvindo a equipe.
- Aplicação de questionários de saúde e clima organizacional padronizados, por exemplo, o Perfil de Saúde, o COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) e o JSS (Job Stress Scale).
- Análise dos resultados de absenteísmo, rotatividade, afastamentos e relatos de queixas psicológicas.
Vale ressaltar que esses instrumentos ajudam a construir um diagnóstico objetivo, não apenas baseado em percepções isoladas.

7 ações para gerenciar riscos psicossociais na prática
Da teoria para a ação, estas são as 7 etapas que eu costumo seguir, baseando-me tanto nas exigências da NR-1 quanto nas melhores práticas observadas em empresas de saúde, tecnologia e serviços:
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Mapeamento e diagnóstico: Conhecer a realidade da empresa, identificar fatores de risco e conversar com as equipes. Não tem como avançar sem esse olhar profundo e diagnóstico preciso.
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Planejamento de ações preventivas: Com base no diagnóstico, criar um plano de ação que priorize os riscos mais recorrentes e seu impacto.
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Promoção ativa do bem-estar: Incluir medidas para melhorar o ambiente, oferecer pausas regulares, incentivar atividades físicas, programas de apoio psicossocial e canais de escuta qualificada.
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Capacitação de gestores e líderes: Treinar quem lidera para reconhecer os sinais de sofrimento mental, saber intervir e agir com empatia.
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Monitoramento constante: Acompanhar indicadores, revisar resultados periodicamente e atualizar estratégias conforme as necessidades e feedback da equipe.
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Revisão e melhoria contínua: Toda ação deve ser revisada, considerando o que funciona bem e o que pode ser aprimorado. O ciclo não pode parar.
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Documentação formal: Registrar todos os processos e resultados. Isso respalda a empresa em auditorias e serve como base para a cultura interna.
Com essas etapas, a empresa se antecipa à legislação, reduz custos e se posiciona como promotora de saúde. É sobre cultura, não só sobre papel.
Os benefícios práticos de cumprir a NR-1 atualizada
É natural se perguntar: “Qual ganho real para a empresa?” Eu tenho visto que, ao investir nessas ações, os resultados aparecem de várias formas:
- Redução de custos com saúde e afastamentos
- Diminuição do absenteísmo
- Aumento do engajamento e satisfação dos profissionais
- Fortalecimento da cultura organizacional, mais confiável
- Diferenciação positiva perante o mercado e clientes
Além disso, a Lei nº 14.831/24 criou o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental. Isso funciona quase como um “selo de qualidade” para quem já adota práticas positivas. Para mim, é uma forma interessante de reconhecimento público e interno.
Parcerias especializadas: por que buscar apoio?
Falo como contador e gestor: desafios desse tipo exigem conhecimento técnico atualizado e abordagem multidisciplinar. Muitas empresas sofrem na aplicação de normas novas justamente porque tentam “fazer sozinhas”. Uma parceria com empresas ou consultorias especializadas faz toda diferença.

Na Queiroz Contabilidade, por exemplo, costumo orientar clientes que atuam na área da saúde e serviços a buscar suporte técnico para elaborar o PGR e implementar boas práticas. Isso traz segurança, atualiza processos e fortalece a cultura de cuidado, pontos destacados neste conteúdo e também em artigos como gestão financeira em clínicas médicas ou pró-labore para profissionais da saúde.
O aprendizado recente me mostrou que quem investe em prevenção minimiza crises futuras e constrói equipes mais comprometidas.
Colocar a saúde mental no centro: uma mudança cultural
Encaro a atualização da NR-1 como uma oportunidade, não apenas uma obrigação. Quando uma empresa inclui saúde mental em sua estratégia, vai além do básico. Está assumindo um papel ativo para construir ambientes mais humanos e produtivos.
Cito como inspiração o Programa do Bem-Estar Mental (B.E.M.) do Einstein, que oferece capacitação para líderes, atendimento em Telepsiquiatria e Telepsicologia, além de promover a gestão preventiva dos riscos psicossociais. Iniciativas como essa mostram que é possível repensar processos e melhorar vidas no ambiente de trabalho.
Se você quer aprofundar esse caminho, recomendo também conhecer conteúdos como gestão do tempo na saúde e serviços, mentalidade empreendedora e como empreender com equilíbrio, pois tudo isso fortalece a cultura de saúde.
Saúde mental é estratégia, não custo.
Se você deseja alinhar a sua empresa às melhores práticas legais e criar um ambiente mais saudável, conheça as soluções especializadas da Queiroz Contabilidade. Tenho certeza de que uma parceria pode transformar a sua realidade e trazer a tranquilidade que você procura na gestão empresarial.
Perguntas frequentes sobre riscos psicossociais e a NR-1
O que são riscos psicossociais no trabalho?
Riscos psicossociais são fatores presentes no ambiente de trabalho que podem comprometer a saúde mental, o bem-estar e as relações interpessoais dos trabalhadores. Exemplos comuns incluem sobrecarga, exigências contraditórias, assédio moral, falta de reconhecimento, conflitos e dificuldades para conciliar vida pessoal e profissional.
Como identificar riscos psicossociais na empresa?
A identificação dos riscos psicossociais passa por mapeamento prévio, escuta ativa dos times, análise de indicadores como absenteísmo, uso de questionários padronizados e acompanhamento das condições de trabalho. Essa análise deve ser objetiva e contínua, como propõe a NR-1 atualizada.
Quais são as 7 ações recomendadas pela NR-1?
As etapas recomendadas são:
- Mapeamento e diagnóstico dos riscos
- Planejamento das ações preventivas
- Promoção do bem-estar no trabalho
- Capacitação de gestores
- Monitoramento recorrente dos indicadores
- Revisão e melhoria contínua das práticas
- Documentação formal de todo o processo
Por que gerenciar riscos psicossociais é importante?
Gerenciar riscos psicossociais protege a saúde mental dos profissionais, reduz afastamentos, aumenta o engajamento, fortalece a cultura da empresa e previne problemas legais. Isso se traduz em clima organizacional mais saudável e melhores resultados.
Como a NR-1 atualizada impacta meu negócio?
A NR-1 exige que toda empresa adote práticas de identificação, prevenção e gestão dos riscos psicossociais, integrando essas ações ao PGR e GRO. O impacto é positivo: além da conformidade legal, há ganhos de bem-estar, redução de custos e melhoria da imagem perante colaboradores e sociedade.